
Já que o Allen estava tratando quase de uma lenda (no sentido primário), poderia ter aproveitado as inúmeras versões pros mesmos “causos” e surtado totalmente, mais ou menos como ele ensaiou fazer quando o Ray está no banco de trás do carro aquele. Explorasse as situações sem o compromisso de seguir a linha de uma cinebiografia, já que o Ray é um personagem diferente dependendo da boca de quem sai, poderia ter rendido demais se o Allen tivesse se permitido viajar sem se preocupar com o que os aficionados de jazz iriam pensar. Um exemplo é o mistério envolvendo o que afinal aconteceu com ele depois das últimas gravações, e o Allen aparece e diz “é, depois disso ele sumiu”, tá, mas porra, um milhão de coisas que dava pra ter feito, não acredito que ele perdeu essa oportunidade. Desta forma, o Sean Penn tomou conta do filme, se alastrou como um câncer. PQP, tá genial o cara. Não que o Allen não apareça, tem uns diálogos ótimos. Aquele da Uma tentando analisá-lo “por que essa fixação por trens? Você está tentando sempre voltar, está tentando trazer algo da sua infância?”, “Do que você tá falando? Não quero trazer nada da minha infância, foi uma droga”. De qualquer forma, dá a impressão mesmo de que o Allen diz “tá, vou filmar essa merda aí, porque depois eu vou filmar aquele, e depois aquele outro…”. Mas é um bom filme.
Escrito por Luis Henrique Boaventura







