
A simbiose dos corpos, logo no início de Hiroshima Mon Amor, representa bem o desejo mútuo dos dois personagens de se perderem, um, na correnteza do outro. É uma grande queda na atmosfera da memória, culminando no impacto de que a benção da amnésia tanto é impossível, como inaceitável. É, efetivamente, uma doença, uma paralisia. Não se vive uma nova vida desde que se saiba exatamente o que se está deixando para trás. Hiroshima e Nevérs descobrem, ao final (que, como todo final, nada mais é que um novo início), que precisam um do que há no outro, por pior que seja, para se sentirem completos, como se tivessem, estando juntos, vivido duas vidas, e que um estigma é necessário para se escapar à vala da estagnação na qual os dois se encontravam, resgatando deste passado virulento a metade do mapa com o passado do outro, e que os dois, de mãos dadas, poderão, finalmente, seguirem juntos a vida que pararam há 14 anos.
É lindo, lindo demais. Comentava com o Dan, ontem à tarde, que a única cois aque me incomodou foi a inconveniência de alguns diálogos, ora de uma pretensão que não funcionava, ora agindo como corpos estranhos prontos para serem rejeitados. Isto, principalmente, durante os flashbacks. Mas só às vezes, de qualquer forma, o texto também é genial na maior parte do tempo.
Agosto 7, 2008 em 4:42 pm
oi sou eriwelton de pennambuco
Agosto 7, 2008 em 6:12 pm
pois não?