Viridiana - Luis Buñuel
Rapidamente…

Viridiana é a igreja e a boa fé no ser humano sob a lente vermelha pervertida de Luis Buñuel, e se esta descrição parece se aplicar a qualquer filme do diretor, o retrato da santa ceia no último terço do filme é a fotografia do mundo através dos olhos do espanhol. Sinceramente me incomoda umas metáforas idiotas que ele insiste incrustar em cenas auto-explicativas, como o gato pulando sobre o rato (analogia repetida em Diário de uma Camareira) e a coroa de espinhos queimando. De qualquer modo, muito bom e tal. Algo como a matéria-prima de Dogville, não tão barulhento e sem todas aquelas arestas.
3/4
Maio 5, 2008 em 7:24 pm
Luigi, tu vai ter que largar esse ódio pelas metáforas pra curtir algumas coisas do Buñuel, hein. :B Viridiana é op, pô. hehe. Não é top five, mas é op. E metáforas com animais existem em vários mesmo. Um dos meus preferidos, Obscuro Objeto etc, é recheado - tem até gato pulando em rato quando o protagonista começa a ficar preeo à obsessão sobre a garota, hehe.
Maio 5, 2008 em 7:53 pm
Não é especificamente o ódio pelas metáforas, mas pelo modo como são usadas, muitas vezes, quando não deveriam estar ali. Eu posso até entender que a coroa em chamas possa ter sido um modo de o Buñuel dar um tapa explícito na cara da beatada toda, pelo impacto visual da coisa junto ao contexto da época. Mas aquela do gatinho é ridícula.
Não duvido que a que você citou funcione, ou que o mesmo artifício de simbologia com bichinhos dê certo sob outras circunstâncias. Aliás, se duvidasse, estaria me limitando profundamente e o único que sairia no prejuízo seria eu mesmo, todo imbecil não querendo ver filmes porque têm gatos ou ratos ou lagartixas, huahuahuaua.
Maio 6, 2008 em 4:19 pm
Aliás, acabo de lembrar que a analogia carnal com a teta de uma vaca, na verdade só existente na cabeça da Viridiana, é maravilhosa. Toda a estranheza da moça ao pegar naquilo tendo disparados instantaneamente todos os alertas da sua consciência. E é hilário, principalmente, hahaha.